Identificando uma boa empresa para investir, parte 2. O Lucro Operacional

Agora o objetivo é chegar no Lucro Operacional, que é o resultado da extração das despesas operacionais e outras despesas e receitas do lucro bruto...

Identificando uma boa empresa para investir, parte 1. O Lucro Bruto

Nova série que propõe um estudo das empresas, começando pelo demonstrativo de resultado do exercício trimestral, mostrando como uma empresa chega no lucro líquido (ou prejuízo). Com base nesses estudos, você poderá separar boas e más empresas e facilitar a sua escolha no mercado de ações brasileiro.

Protegendo seu dinheiro com segurança, a Poupança

Caderneta de Poupança Todo mundo conhece a caderneta poupança. Sinônimo de investimento seguro e conhecida por todos, a poupança é a forma mais fácil de investir, especialmente para aqueles habituados ao uso do internet banking...

Warren Buffet, o Investidor inteligente, parte 2

Continuando a série Warren Buffett, o Investidor Inteligente, vou falar brevemente sobre a história da Berkshire Hathaway, a famosa empresa de Buffett, que começou como uma fábrica têxtil e se tornou uma holding de capital aberto...

Warren Buffet, o Investidor inteligente, parte 1

Darei início a minha série de textos sobre capítulos das obras incríveis que tenho lido sobre investimentos e grandes investidores, começando por Warren Buffett...

Mostrando postagens com marcador Warren Buffett. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Warren Buffett. Mostrar todas as postagens

sábado, 13 de abril de 2013

[Parte 2] Warren Buffett, o investidor inteligente

Continuando a série Warren Buffett, o Investidor Inteligente, vou falar brevemente sobre a história da Berkshire Hathaway, a famosa empresa de Buffett, que começou como uma fábrica têxtil e se tornou uma holding de capital aberto.


Buffett e sua empresa, a Berkshire Hathaway


Buffett é um homem simples, honesto, bem humorado e filantropo. Intelectualmente, ele é tido como um gênio. Não é preciso muito para entender isso, uma vez que não é fácil figurar entre os 10 homens mais ricos do mundo (de acordo com a Forbes) apenas por sorte, ou herança, durante tanto tempo. 

"Não acho justo alguém nascer dono de milhões de dólares apenas pelo fato de ter saído da barriga certa."


Buffett está em terceiro na lista dos mais ricos do planeta, com uma fortuna pessoal de U$44 bilhões de dólares, erguidas do NADA e isso tudo, é claro, graças a centenas de bilhões acumulada por sua empresa, não só para ele, como também para seus afortunados acionistas, a notável Berkshire Hathaway.



O bilionário adquiriu o controle da Berkshire depois de comprar mais de 50% de suas ações, as quais começou sua posição em 1962 (leia a parte 1 da série). Na época, como uma empresa têxtil, a Berkshire valia em torno de U$22 milhões.

Em 1964, com o controle total da empresa, WB estabeleceu uma meta de aumentar o valor contábil da empresa em 15% ao ano, um valor bem superior ao usual na média das empresas norte americanas na época. Durante os 48 anos como proprietário, Buffet conseguiu uma média anual de extraordinários 22%. Obviamente, não foi no ramo de fios que ele conseguiu atingir este número. Em 1967, Buffett começou a comprar ações e outras empresas, e sua primeira aquisição integral foi a National Indemnity Company, uma empresa de seguros, que persiste até hoje. No final da década de 1970, a Berkshire adquiriu uma participação no capital da GEICO, que constitui o núcleo de suas operações de seguro (e é uma importante fonte de capital para outros investimentos para Berkshire Hathaway). Com o passar dos anos, a Berkshire abriu posição em empresas como "The Washington Post" (Jornal), "General Foods" (Alimentos), "Coca-Cola" (Refrigerante), "Gillete" (aparelhos e produtos de higiene), e outras várias empresas (algumas das quais listarei com mais detalhes a seguir). Em 1985 as operações têxteis foram fechadas (aliás, nunca foram muito lucrativas).

As ações de primeira classe - lançadas a partir da tesouraria -foram vendidas por US$99.200 em Dezembro de 2009, fazendo delas as ações com o mais alto valor já negociadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque. 

Para reforçar em números a força de Buffett, o valor de um papel da empresa era de 19 dólares em meados dos anos 60 e o valor atual é de U$$133.841,00 (isso mesmo, exatos cento e trinta e tês mil, oitocentos e quarenta e um dólares). Hoje, a empresa está em sétimo lugar no ranking da Forbes 500,  avaliada em U$202 bilhões de dólares, atuando como holding de várias grandes companhias (com controle majoritário) e acionista de várias outras, como 13% das ações da American Express, 8,8% da Coca-Cola, 5.5% da IBM e 7.6% da Wells Fargo, além de posições menores, mas não menos importantes em outras empresas (fonte: relatório anual da BH de 2011).



Veja as 15 maiores participações da Berkshire em empresas de capital aberto, por valor:


15. Washington Post (WPO)
Valor em posse: $598.01 milhões 
ações: 1,727,765 
Participação: 23.2%

14. Johnson & Johnson (JNJ)
Valor em posse: $709.27 milhões 
ações: 10,333,128 
Participação: 0.4% 
Reduziu a quantidade da Johnson & Johnson em 18.68 milhões ações (-64%) desde o último período reportado.

13. DaVita (DVA)
Valor em posse: $910 milhões 
ações: 9,300,000 
Participação: 9.8% 
Aumentou a quantidade da DVA em 3.3 milhões ações (+55%) desde o último período reportado.

12. Phillips 66 (PSX)
Valor em posse: $1.08 bilhões 
ações: 27,163,918 
Participação: 4.3% 
Nova empresa, desde 30 de junho de 2012.
11. Moody’s (MCO)
Valor em posse: $1.11 bilhões 
ações: 28,415,250 
Participação: 12.8%

10. DirecTV (DTV)
Valor em posse: $1.48 bilhões 
ações: 28,420,700 
Participação: 4.5% 
Aumentou a quantidade da DTV em 5.42 milhões ações  (+24%) desde o último período reportado.



9. ConocoPhillips (COP)
Valor em posse: $1.65 bilhões 
ações: 28,868,673 
Participação: 2.4% 
Reduziu a quantidade da COP em 232,300 ações (-1%) desde o último período reportado.

8. US Bancorp (USB)
Valor em posse: $2.18 bilhões 
ações: 66,000,713 
Participação: 3.5%
Reduziu a quantidade da USB em 3.04 milhões ações (-4%) desde o último período reportado.

7. Kraft Foods (KFT)
Valor em posse: $2.40 bilhões 
ações: 58,826,390 
Participação: 3.3% 
Reduziu a quantidade da KFT em 19.19 milhões ações (-25%) desde o último período reportado.

6. Wal-Mart Stores (WMT)
Valor em posse: $3.46 bilhões 
ações: 46,708,142 
Participação: 1.4% 
  
5. Procter & Gamble (PG)
Valor em posse: $3.98 bilhões 
ações: 59,602,203 
Participação: 2.2% 
Reduziu a quantidade da PG em 13.65 milhões ações (-19%) desde o último período reportado.
4. American Express (AXP)
Valor em posse: $8.50 bilhões 
ações: 151,610,700 
Participação: 13.3% 

3. IBM
Valor em posse: $13.22 bilhões 
ações: 6,645,396 
Participação: 5.8% 
Aumentou a quantidade da IBM em 2.25 milhões ações (+3%) desde o último período reportado.



2. Wells Fargo (WFC)
Valor em posse: $13.96 bilhões 
ações: 411,045,245 
Participação: 7.8% 
Aumentou a quantidade da WFC em 16.7 milhões ações (+4%) desde o último período reportado.

1. Coca-Cola (KO)
Valor em posse: $15.75 bilhões 
ações: 400,000,000 (divisão ajustada) 
Participação: 8.9%







Em suma, seguir os conselhos e escolhas de grandes profissionais investidores, como Buffett, Soros, Lynch, Graham e outros não é garantia de sucesso, mas ignorar a experiência e ensinamentos dos mestres não parece ser uma decisão muito sábia. Pretendo aproveitar este espaço para falar mais sobre Buffett, Lynch, Graham e seus inúmeros - e valiosos - conselhos. No próximo capítulo, falarei um pouco sobre a "carteira" da Berkshire e por quê Buffett gosta de comprar ações de empresas cujo negócio é simples de compreender pois, como ele mesmo diz:


"Invista em um negócio que até um idiota saiba tocar, porque algum dia um idiota vai tocá-lo."

Até a próxima!



Recomendo a leitura dos relatórios anuais da empresa, escritos pelo próprio Warren Buffett: Annual & interim Report. São verdadeiras aulas de investimento.

-----------------------
Referências Bibliográficas:

"O Jeito Warren Buffett de Investir", de Robert G. Hagstorm
"Forbes 500"
Yahoo Finance BRK-A
Berkshire Hathaway Annual Report
Berkshire Hathaway Wiki

quinta-feira, 11 de abril de 2013

[Parte 1] Warren Buffett, o Investidor Inteligente

Darei início a minha série de textos sobre capítulos das obras incríveis que tenho lido sobre investimentos e grandes investidores. Os textos que escreverei não serão reproduções fiéis dos livros (a essência será sempre mantida, o que aproveito são as informações), mas os usarei para dissertar sobre determinados temas e você poderá usufruir o que de melhor tem nas obras, com textos enriquecidos a partir de fontes obtidas na internet. Sempre que possível, procurarei enriquecer os textos com informações complementares, imagens e idéias. 

  Comecarei falando sobre o início da carreira do grande investidor Warren Buffett e seu faro sensacional para negócios, tendo como base o livro "O Jeito Warren Buffett de Investir", escrito por Robert G. Hagstrom. Aproveitarei alguns "ganchos" oferecidos pelo autor para mostrar uma visão mais detalhada de alguns trechos do livro através de pesquisas, como você poderá constatar no texto abaixo, como por exemplo, onde em um momento o autor apenas menciona uma oportunidade de negócio descoberta por Buffett sem detalhar o fato.
  Se já leu o livro, pode ser interessante relembrá-lo sob um novo prisma.


Buffett e o início



  Para quem não sabe, Benjamin Graham - o maior guru fundamentalista da história das bolsas - foi professor de Warren Buffet na faculdade de negócios em Columbia, nos EUA, onde fez um mestrado depois de ter se formado em administração na universidade do estado de Nebraska. Buffett se interessou pelo trabalho de Graham depois de ler sua obra mais famosa, conhecida como a bíblia do investidor fundamentalista, "O Investidor Inteligente". Buffett terminou seu mestrado e foi trabalhar com Ben Graham na Graham-Newman Corporation.
  Durante dois anos, Warren Buffett aprendeu muito com seu mestre e patrão. Quando a empresa foi dissolvida, em 1956, Graham se aposentou e Buffett voltou para sua cidade natal, Omaha, no estado de Nebraska.



  Morando com a família, com cem dólares no bolso, o jovem Buffett, então com 25 anos, iniciou uma sociedade de investimentos com sete sócios, que, juntos, contribuíram com U$$105 mil. Cada um deles recebia 6% anuais sobre os investimentos e 75% dos lucros acima desse limite. O restante, é claro, ficava com Buffett, que era sócio solidário, que é aquele que responde pela empresa, inclusive por suas dívidas. Buffett, com esta atribuição, possuía carta branca para investir os fundos da sociedade da forma que achasse melhor, pois já havia mostrado notáveis qualidades de investidor.
  Durante os 13 anos em que controlou esta sociedade, Buffet conseguiu rendimentos anuais médios de 29,5% ao ano, sem ao menos ter um ano de baixa, mesmo se comparando ao índice Dow Jones, que teve 5 anos de quedas neste período. No início da sociedade, Buffett estabeleceu uma meta de bater o índice em 10%, mas o superou de forma magistral em 22 pontos.

  Com o tempo, Buffett foi ganhando fama e mais e mais pessoas o pediam para que administrassem seu dinheiro. Ele comprou participações majoritárias de várias empresas, tanto públicas quanto privadas e, em 1962, começou a comprar ações de uma empresa têxtil com problemas, chamada Berkshire Hathaway. 




  Durante o período em que Buffett superava com facilidades o índice Dow Jones, ele fez algo extraordinário e surpreendente. Em 1964, provou que havia aprendido muito bem uma das lições de seu antigo mestre Benjamin Graham:




"Quando as ações de uma empresa sólida estão sendo vendidas abaixo de seu valor intrínseco, aja com firmeza!"


  Em 1964, a empresa Allied Crude Vegetable Oil conseguiu 158 milhões de dólares* em empréstimos de instituições financeiras sob a condição de mostrar os estoques de óleo vegetal, que seriam utilizados como garantia pelo dinheiro. A empresa atracou navios nas docas para fiscalização e, após checarem os tanques, os fiscais autorizaram o empréstimo milionário. O problema é que os tanques dos navios estavam cheios de água, com apenas alguns centímetros de óleo vegetal por cima. Foi um golpe e tanto, pois enquanto os fiscais desfrutavam de um almoço pago pela companhia, os larápios retiravam o óleo de um navio e transferiam para outro, pois mal tinham óleo o suficiente para cobrir a superfície de todos os tanques. Mas como lugar de bandido é na cadeia, o golpe logo foi descoberto e o dono da empresa, Tino de Angelis (foto abaixo) foi preso. Como consequência, a American Express, que havia emprestado U$$58 milhões, sofreu uma queda de 50% em suas ações praticamente de um dia para o outro.




  Warren Buffett, que de bobo só tem a cara, comprou U$$13 milhões do papel (40% de alocação), mostrando que aprendeu bem a lição do mestre Ben.
  Nos dois anos seguintes, o preço das ações da AMEX triplicaram e os sócios embolsaram um lucro líquido de U$$20 milhões. Nada mais Buffettesco (e com o mestre Graham por trás).
  Em 1969, Buffet dissolveu a sociedade, que conquistou U$$26 milhões em ativos. Todos os sócios embolsaram uma bela grana e Buffett aumentou a participação na empresa têxtil Berkshire Hathaway para U$$25 milhões, tornando-se sócio majoritário da empresa. No próximo post sobre Buffet, falarei mais sobre a Berkshire Hathaway, um império financeiro de mais de 65 bilhões de dólares.






----------------

E você, teria feito o mesmo que Buffet? Já se imaginou comprando uma empresa que sofreu uma grande queda sem saber o que pode acontecer no futuro? Este exemplo ilustra casos recentes de quedas vertiginosas no papel de boas empresas do setor elétrico e mostra que um tombo desses nem sempre significa o fim do mundo, mas pode se tornar uma bela oportunidade.

Até a próxima!


* - U$$158 milhões em 1964 nos dias de hoje equivaleria a mais de U$$1 bilhão.

Veja mais sobre o Salad Oil Scandal